29 de abr de 2012

Leiam, que eu quase chorei o.O

Dois de Dezembro foi quando eu nasci. Mal sabia o que me esperava naquela altura. Era um bebé normal, como todos os outros. Tinha os meus brinquedos, tinha os meus DVD's de vários bonecos. A minha mãe teve-me aos vinte e um. Casou-se no ano anterior com o meu pai. Eram felizes, mas graças a um problema mental, o meu pai começou a bater na minha mãe, ou melhor, queria-me bater a mim, mas a minha mãe defendia-me. Era um bebé, como devem calcular, não gostava daquela situação. Chorava ao ver aquilo, o que enervava mais o meu pai. Tinha eu três anos, quando se divorciaram. Não mantive contacto com o meu pai, apenas sei que se chama Mário e que o odeio. Ele foi para Lisboa, onde agora mantém uma vida, com mulher e filhos. Sei que tenho vários meios irmãos, mas nunca os conheci. A minha mãe começou a sair com um amigo da escola e apaixonaram-se um pelo outro. Agora, ele é meu padrasto e tenho uma meia irmã de sete anos que tenho de aturar todos os dias. Lembro-me quando era pequena e eu ia sempre ao Eleclerc, que era o hipermercado mais perto de minha casa sempre comprar brinquedos com o meu padrasto. Andava na primária à frente de minha casa. Como todas as pessoas, tive aquelas pequenas paixonetas. Os meus colegas nunca gostaram muito de mim. Depois, fui para o ciclo ( quinto e sexto ano ). Aí comecei a ganhar mais amigos, mas tudo se desmoronou no sétimo e no oitavo, quando fui vítima de bullying. Tive duas melhores amigas aí, comecei a dar-me com mais gente, e graças a tudo o que eu passei, reprovei de ano, não conseguia aguentar o trabalho que me davam quando a minha mente estava cheia de momentos horríveis. Lembro-me que me cortava imenso nos pulsos e que estive quase a suicidar-me. Fui para uma turma nova e queria causar boa impressão e deixar para trás tudo o que me tinha acontecido até esse momento. Comecei-me a dar muito bem com muitas pessoas, que agora já não me dou, que me odeiam. No dia 21 Dezembro de 2010 faleceu-me a madrinha, por causa daquela maldita doença da qual muita gente sofre, o cancro. Senti-me muito mal, pois já  a minha avó tinha falecido dessa doença, quando eu tinha apenas dois ou três anos, logo não me lembro muito bem dela. Em Janeiro de 2011 comecei a gostar de um rapaz que começou a ser meu amigo a partir do momento que soube a paixão que sentia por ele. A namorada odiava-me, mas eu comecei a falar com ela e somos bastante amigas e até agora ainda gosto dele. No Verão passado comecei a conhecer mais gente, da qual me arrependo de ter conhecido, visto que me fazem sofrer. Ainda agora me chama de gorda, mas não tenho culpa, visto que tenho problemas que me fazem engordar. Recentemente, no dia 17 de Abril o meu avô faleceu de cancro da próstata. Era sem dúvida a pessoa mais culta que eu conheci. Ele este na Segunda Guerra Mundial, viajou por vários sítios. Sempre me tratou bem. Lembro-me até de que numa Quinta - Feira, eu fui visitá-lo ao hospital onde ele estava. Estava muito fraco, nem cinquenta quilos devia pesar e ele sempre foi um homem cheinho. Ele fez-me perguntas sobre como se calculavam as àreas dos triângulos e assim. Eu, pessoalmente, nunca fui boa a matemática desde o sétimo ano, mas mesmo assim, esforcei-me para responder correctamente. Ele sempre teve um cerébro muito bom. Era inteligente. Pois bem, na  Terça da morte dele, eu estava a sair da escola. Ia com um colega para casa, visto que somos vizinhos. Liguei o telemóvel e vi que que tinha muitas chamadas perdidas da minha mãe e da irmã do meu padrasto. Liguei de volta, mas não obtive resposta da minha mãe. Decidi então ligar à irmã do meu padrasto, que logo atendeu. " Já estás com o meu irmão?" , perguntou-me. Eu respondi negativamente e mal me virar para trás vi o meu padrasto. " Já estou com ele, já o vi" - disse-lhe. O meu padrasto estava sério, mas ao mesmo tempo um pouco triste. " O teu avô morreu" - foi o que me disse e de seguida abraçou-me. A escola onde eu ando fica nem a um kilómetro da igreja onde estava a minha família toda reunida. Quando cheguei, vi os meus tios que me vieram abraçar dizendo " Saíste agora da escola?" eu acenei positivamente com a cabeça. Mal vi a minha mãe, veio ter comigo. No banco da frente, estava a minha tia e a madrasta da minha mãe. Na minha família ninguém gosta dela, diz-se que é bruxa, mas eu não sei, nem quero saber. No dia seguinte, estava eu na escola, com os meus amigos, que mal souberam vieram dar os seus sentimentos. Toda a gente que soube da morte, veio ter comigo. Tenho mais para contar, mas isso fica para a próxima.

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